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BLOG NÃO EM TESTE... "A CADA DIA QUE VIVO MAIS ME CONVENÇO DE QUE O DESPERDÍCIO DA VIDA ESTÁ NO AMOR QUE NÃO DAMOS, NAS FORÇAS QUE NÃO USAMOS,NA PRUDÊNCIA EGOÍSTA QUE NADA ARRISCA, E QUE, ESQUIVANDO-SE DO SOFRIMENTO, PERDEMOS TAMBÉM A NOSSA FELICIDADE." (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

À esperança


Quando te chamo

É porque te amo

E do contrário

É porque também te amo


Ao falar “te amei”, e olhar para canto

É para não notar que temo

Você descobrir a verdade: te amo.


Então façamos o seguinte acordo

Você me ama. Eu te amo. Nos amamos.

Agora com pleno juízo

Continuamos felizes o rito

De dissimular nosso sorriso.

Gladson Fabiano

19 de fevereiro de 2009



O poeta e o papel


Resista papel, talvez tu venças esta infindável batalha.

Eu, laboriosa fornalha em perene aflição de me gravar em ti.

Tu, fatídica vítima sem opinião a fugir de mim.


Legítima necessidade de tatear para sentir a condição de estar vivo

Ao fim, papel, permaneça como, quem sabe, esteja mais belo:

Em branco.


Mas tenha a certeza que te espreito,

E te desrespeito, afinal, tu meu caro servo, como já dito:

Não tem ambição, não tem vontade, não tem opinião alguma

A não ser a mais admirável, que é ter todas numa:

Folha em branco.

Gladson Fabiano

19 de fevereiro de 2009

Os jovens e juventude

“A juventude é uma coisa maravilhosa. Que pena desperdiçá-la em jovens”

George Bernard Shaw

Sejamos simples; este é o ponto de partida para gritarmos sem elevar a voz, assim, talvez consigamos derrubar este prédio, ou então, fazer ruir as paredes; mas também valerá a pena se trincar algum alicerce; se nada disso acontecer, fica um saudável exercício para aquecer voz. Enfim, não será de todo em vão.

- Amigo, o que são essas cicatrizes em teu rosto?!

- Foram todas àquelas paredes; uma mais dura que a outra, e àqueles caminhos; cada um mais perdido que o outro.

- Mas não te contei sobre este labirinto? E ainda te dei o mapa com toda trajetória que todos fazem quando lá entram?!

- Sim, mas você não viveu este labirinto para saber? Por que eu não também não poderia?!

- Sim, você está certo, tão certo quanto aquele velho sábio que me disse que não é possível transmitir experiências. Não notava que era em vão querer te proteger, pois somente colocaria um tapete sobre este buraco na sua frente. Vá, caminhe e borde seu lindo tapete das cores que quiser, convir ou aparecerem por aí, a esmo. Tanto são os labirintos quando os caminhos e saídas. As estrelas observam rindo, pois nada têm haver com isso. Queres um Band-Aid, bom amigo?

Gladson Fabiano

12 de fevereiro de 2009

Quanto tempo esperei

O momento certo de te amar

Mas agora que passou

O que restou no lugar

Foi que momento certo não há


Gladson Fabiano

15 de julho de 2008




Sobre peixes e a ostras


Toc! Toc!

- Sou eu o peixe palhaço, tenho um pedido a te fazer!

- O que queres?! Tua alegria aqui é bem vinda, mas fique aí fora!

- Mas não é isso Dona Ostra, gostaria muito de sua companhia!

-Já disse que aqui ninguém entra! Estou muito bem aqui sozinha; é seguro e confortável.

- Mas, Dona Ostra...

- Não adianta insistir, podemos ficar assim como estamos, você rindo aí fora e eu, aqui dentro, lhe garanto que a alegria não será diferente, esta será a justa medida de nossa felicidade!

- Podemos conversar Dona Ostra como sempre fazemos, mas não seria muito melhor se mudarmos...

- Mas que tamanha persistência vá embora, ou melhor, deixa-me aqui dentro, e fique rondando por aqui, conte-me aquela piada do bacalhau!

O peixe palhaço sem entender vai embora, logo vem uma sardinha ciumenta e pergunta:

- Ei Palhaço, o que queria você com aquela Ostra?

- Estava fazendo um convite a ela, mas foi inútil. Não me conformo, mas tenho que me conformar que terás por conta própria descobrir esta verdade, ou quem sabe outra melhor que esta.

- Descobri o quê?!

- Não entendo... em nenhum momento pedi para entrar na concha... Quanto tempo demorará a notar que aquela concha não serve para manter o mundo do lado de fora e sim, somente para trancar-se do lado de dentro... Eu não pedi para entrar... Ia convidá-la para sair. É... mas sejamos compreensivos e acertemos nossos relógios, todos precisam de seu próprio tempo.

- O quê? Não entendi, mas já que ela não aceitou, ou nem quis ouvir, vamos, eu aceito!

- Hã?! Quando te convidei para sair?

-Há pouco, não lembra?!

- Mas espera, deixa-me ver que horas são... Puxa! Só agora vejo que entrou água em meu relógio! Ah! Tubo bem, vamos...

Gladson Fabiano,

20 de janeiro de 2009


Enfim


Ele, sobre o frio chão da praça, descansa

Embaixo do poste de fraca luz

O velho sonha com a infância

Da criança que era dona do mundo, que seduz


Pareceu a eternidade o tempo que ali ficou

“Quantos sonhos nós por toda vida sonhamos?

Quantos realizamos?”Imagino que se perguntou

E estático continuou. “No fim o que valemos?”


Horas depois quem o notou imóvel demais?

Foi a liberdade dos pés de um distraído que ria

Que lembrou, sem querer, do incomodo que jaz


Não sonhava, morria; e quem o viu viver?

Pior do que não ter alguém para notar que se viveu

É ninguém para lembrar que se já morreu ou existiu

Gladson Fabiano

17 de Janeiro de 2008

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