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BLOG EM TESTE... "A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a nossa felicidade." (Carlos Drummond de Andrade)

Dores e memórias

Quanto mais envelheço acredito que as alegrias deveriam também deixar cicatrizes, imaginem só que bom seria certo dia:

- Vovô! Vovô! O que foi essa grande cicatriz aí no seu joelho?

- Ah! Essa aqui foi inesquecível. Como foi maravilhoso esse dia! Nunca esquecerei tamanha felicidade quanto...

Gladson Fabiano

03 de dezembro de 09

*Crédito pela escolha da foto: Valéria


Da inexpressão

Aliei-me inicialmente com as palavras para dar vazão ao que se debatia preso em mim. Descobri que as aliadas me ajudavam até certo ponto somente. Ultrapassar este ponto é essencial, pois, é além dele que reside a mais bela substância daquilo que vivemos e sentimos. Esta indistinta matéria é a aquilo que não tem nome, é aquilo para que não existe definição. Mas expressa-la é uma angústia necessária que sentimos. É tensão ansiosa que corre por todo nosso corpo. Experimentamos a falta de ar – e de existência - pela ineficiência de poder libertar aquilo que comprime intensamente o peito. Esta tensão entre interioridade e exterioridade é universal. Em qual palavra caberia o que sentimos ao encararmos o hálito da irreversibilidade do tempo ou do inevitável fim de tudo? Os temas são diversos como a vida, cada pessoa traz consigo sua dura almofada insone.

Caminho com um caça-palavras em mãos. O meu caça-palavras têm linhas e colunas infinitas; e nenhuma palavra escrita. Mas seu conteúdo é imenso e quer sair.

Gladson Fabiano

7 de novembro de 2009

IDEIA AVESSA

Conhecemo-nos, apaixonamo-nos,

Acostuma-nos e terminamo-nos!


Se me culpas por contrário a tudo ser!

E terminar é como se desconhecer

Melhor será conhecermo-nos já!


Então,

Deixemos de tanta falta de diálogo

Que tal apaixonarmo-nos logo?!

17 de outubro de 2009

Gladson Fabiano

Servil

Ao querido dedo

Os dedos que te apontam, hoje e sempre

Que te julgam e condenam eternamente

Não se importam da verdade certamente

Fazem do desconhecido o que se cumpre


Como ignoram as causas, as formas, as dores

Moldando assim, todos teus contornos e cores

Como desfilam por aí, divulgando, teu personagem

Dando assim, valor que dá crédito à maquiagem


Nisso segue-me o impulso e dever amigável

De fazer-te dedo amigo, logo, um juiz consumado

Já que, não buscar razões, é costume interminável


Noutros tempos (mesmos homens) disse-me o bardo:

“Melhor ser mesmo vil que ter a fama” Inquestionável!

Dantes trazia a fama, agora sou vil, digo feliz e comovido.

Gladson Fabiano

3 de outubro de 09



Sobre afinidade e opostos

A ciência física pode estar certa sobre muita coisa: a gravidade e o peso, a combustão e oxigênio, o freio e o atrito. Mas tudo evolui. Até mesmo Newton, agora é incerto! Certo disso, saibamos que novas teorias e leis hão de surgir para explicar novos eventos nunca dantes vistos ou previstos. Assim é nosso imprevisto, querida. Não aceito mais simplesmente que os opostos se atraem; são nossas afinidades em nossos dispostos que nos tornam um. O que me tem afim me acaricia; o que me tem contra me desperta.

Gladson Fabiano

19 de setembro de 2009



Dos nimbos


Nódoa a tecer o véu de teu ser

Fácil escarnecer da tua mancha


Chuva! Todos gritam e apontam.

A nuvem que vem é só o que há!

Existirá alguém que veja além? Não!

Só absorvem a mácula que desonra.


Despercebidos passam, não interessam

Os ventos que te trouxeram o negrume.

Gladson Fabiano

14 de setembro de 2009

Amor ilegal

Amar, nunca entendi o tráfego,

Este gráfico não tem via, pensei.

Havia uma entrada, eu a segui.

Stop!

Pare o coração, disseram-me.

Acusaram-me de contramão.

Há rodovia certa para te amar?



ASSIM DESCOBRIU-SE A FELICIDADE


Não amiga, assim como você diz,

Nenhum motivo ele tem para ser infeliz

Quão fácil é a solução! Você esta certa!


Bem, então façamos do seu modo:

Para chorar, não tenho motivo algum, então

Agora vamos sorrir de tudo!

Para dormir, não tenho motivos nem sono.

Não descansarei os joelhos fatigados, então

Em motivada vigília, velarei os dias e as noites!

Para odiar a todos, não tenho motivos, então

Amarei qualquer um que eu desconheça ou não!

Muito melhor esta nossa última assertiva, pois assim

Repousarei em verdes pastos, com a graça divina

Máxima solução da tua lógica da presença-ausência!


Será que o motivo do dia é apenas a ausência da noite?

Como se luz fosse pretexto para não haver mais sombras...



Te amo


Fecho meus olhos

A este mundo de amores leves

Leves daqui, num fecho só, todos os sentimentos breves

Greves! da constância, da integridade, da substância

Lave o mundo, leve o mundo

Que no fundo, imundo, só há arvores

Sem raízes, incolores, sem matizes

E até que se lavre a semente grave e concreta

Está decretada a interdição do mundo: não me chame “meu amor”

Que não retribuirei o favor; “bom dia” seria mais sincero

Espero que grave da faixa que o mundo veda

A mensagem que receita:

“Terra, própria para plantio, mas de má colheita.”

2 de agosto de 2009

Gladson Fabiano

ENCONTRO FORTUITO

Querida, quando acreditava ser esquecido de ti

Tanto tempo fugindo das portas para o passado não batê-las.

Falaram-me das portas, somente delas

Mas porque não me advertiram das janelas!

Daquela janela que me lembrou da verdade que nunca esqueci


Singular janela era em tudo o olhar teu

Toda luz penetrava nela,

Mas nem sombra sequer saia dela

Para que uma parede atrás de uma janela?

Para que janela que não vai dá a lugar algum?

Gladson Fabiano

30 de julho de 09

O guindaste


Prescreve o médico:

Suspenda esse vício teu


Nunca!

Inscrevo eu,

Tu, vício meu

Não suspendo

Pois em ti estou

Gravitando!


Como um guindaste

Suspende o próprio mundo?

Dois pores-do-sol em um só dia


Já desisti sem lutar tendo tudo a vencer.

Com todas as armas em mãos, de olhos fechados,

sem pensar, sem hesitar, dizia não!

Esperança é a espera do nunca agora.

Cansei de acreditar na esperança.

Basta! A aurora que se afasta pesa sobre meus ombros:

Que me bata a guerra, que me venha os sonhos.

Que se faça tempestade e me saia da face a brisa idade!


Determinado assim, não havia mundo Golias, para eu Davi.

Com duas mãos apenas, era eu exército.

Não havia perigo ao exercício da bravura.

Eia intrépido coração! Nesta compostura vencerá o mundo. Exceto

pelo acaso; fortuito caso de um reviver: enganosa ressurreição.


O que aconteceu com o mudo que era meu?!

Respondo-te por ser ilegítimo culpar alguém

Meu bem, tudo começa e termina com a poesia (ou poeta?) que morreu:


Do que vale a vontade e certeza de vencer se não me deixa lutar?

De forma súbita e desavisada não há onde pisar.

Meus braços pesam, meus olhos não chegam ao coração

da batalha. Queres me forçar a fina mortalha usar, amigos:

eis o símbolo da forjada paz. Toquem o címbalo ao corpo,

que volta do combate perdido sem ter ido.

Sejas bem vindo!


(Consegues entender agora o que é ser o Derrotado

não por medo de lutar,

ou por combater e perder,

mas, perecer por não te deixarem batalhar,

por tomarem tuas armas,

tirarem tuas forças,

retirarem-te de forma inquestionável do campo de batalha,

Ser vencido por você falar simplesmente não ser possível vencer

sem abertura para vírgulas, reticências, só ponto e pronto).


Mas já é por demais tarde para que eu volte

a todo tempo andar com meu velho guarda-sol,

(na chuva, temendo o sol)

a todo tempo proteger-me com meu velho guarda-chuva.

(no sol, receando a chuva)

Não há sombra, nem vida sob guarda-chuva ou guarda-sol,

que não guarda, priva-nos.

Deve-se saber que é proibido usar guardar-vida.

Gladson Fabiano

26 de junho de 2009


Machadiana


Cada passo teu, engana-me que impreciso foi

Ao meu lado, olhar sempre dissimulado

Prometido, o eterno condenado sofrido, pois

Inerente ao meu sofrer que seja; o que querer?

Teu sorriso que é vago deslizo, nele a me perder...

Uma resposta enfim, que nunca terei em juízo.


Se passasse despercebida seria feliz.

Onde deixei as chaves que me roubastes?

Faz-se dengosa, penosa meretriz!

Inveja-me da fortuna, a liberdade que quis

Agora e enfim, continue a piar sem o cão a seguir-te perdiz.

Gladson Fabiano

16 de julho de 2009



Tua luz


O enlace de tuas vibrantes asas

Enervante por mim passa

Tua graça, anjo cálido e divino

É vida que me traz o sol matutino.


A luz dissolveu-se nos lábios da negra bílis

Jamais o céu comoveu-se das trevas de minha íris

Da Peste que fizeste em minha carne moribunda

Apodreceu-me a triste idéia imunda:


Diáfana era tua luz celeste que me fez amar

Cabida perfeição, arranjo de uníssona candura

Compostura fiel à eterna devoção de te contemplar


Mariposa sedutora faz-te de borboleta à minha retina!

Anjo e Demônio, maldito matrimônio a enganar

Saiba ao fim a verdade: tua luz mais cega que ilumina!


Gladson Fabiano

16 de julho de 2009


Porta à frente


Ao acordar numa manhã tardia

Quando ainda a vida não se ouvia

Já havia uma placa na entrada

Que impassível não discutia:


ENTRADA NÃO PERMITIDA


Mais fácil seria voltar e ficar dormindo

Mas ainda que vencida a alma do vencedor

É um pendulo nunca derrotado


Àquela fechada entrada voltei calado

Do bolso puxei um pincel verde

E naquela maciça parede

Inventei uma porta ao lado!

Gladson Fabiano

24 de maio de 2009