nAdA AindA

BLOG NÃO EM TESTE... "A CADA DIA QUE VIVO MAIS ME CONVENÇO DE QUE O DESPERDÍCIO DA VIDA ESTÁ NO AMOR QUE NÃO DAMOS, NAS FORÇAS QUE NÃO USAMOS,NA PRUDÊNCIA EGOÍSTA QUE NADA ARRISCA, E QUE, ESQUIVANDO-SE DO SOFRIMENTO, PERDEMOS TAMBÉM A NOSSA FELICIDADE." (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

COMO MOVER UMA MONTANHA


"Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar."

—Wittgenstein.


Passei horas tentando escrever uma linha sobre eu e você, algo que encaixasse as palavras - e ideias – prudência e amor. Ao fim, o Amor provou-se tão impregnado e tácito, que não descolou centelha alguma em palavra; retenção lírica que não se confunde com inexpressão: conhece o silencioso olhar enamorado? Ou as ações que dizem, que gritam, eu te amo?! Silêncios e ações, os quais só os que têm a chave - olhos para ver, ouvidos para ouvir – que reconhecem. Todo coração empedernido é cego, farpado por dor e receio. E a maior prudência de todas, foi-me o papel que se exigiu branco. Branco de tão puro, ou talvez branco de medo, que por vezes tem a furta-cor da prudência. Deus nos conceda o tão raro dom de discernir cores que nos furtam...

Fabiano de Andrade

21 de fevereiro de 2012


IRONIAS DAS IRONIAS


A Ironia é arma devastadora, lares que poderiam se aquecer com a energia nuclear de uma infantaria. Certo dia enojou-me a ironia - o cinismo que corrói a claridade do peito aberto. Foi quando o humour servil ao algoz dos que se arrogaram por terem uma pedra em mãos e saber como usá-la, e não como elevação de um estado ou de uma ótica. Desgraça dos altivos, fazem dos ombros dos irmãos sua escada. A indiferença é a lei do ironista inveterado; a afetação, sua pena. Não se ama, sinceramente não se ama: ah como não te odeio... Piedade: importo-me tanto com você quanto o mundo... Ironia: quando um ato vira seu oposto, pretensiosamente desejando ser o mesmo ato, porém com maior energia, algo sempre se perde, uma essência escorre de seu negativo. Perde-se no subtendido, talvez não o sentido em si – que é tendencioso - mas o dar-se a cara à sinceridade, a vivacidade de ser puro, de ser inocente, de se ser e só; e não pensar por demais nas conseqüências, em como podemos deste modo nos ferir, sermos frágeis, pois ao passo destes pensamentos, nos abrigamos em um anestésico asilo: e quem nota que a ironia, por vezes é mais defesa que próprio ataque?! Grande peito, finíssima imensidão. Deste modo, a ironia torna-se um maldito verme que destrói a integridade. Assim, se pode ferir, sangrar, matar! pelo simples receio bruto de morrer. Não é cada vida feita de várias mortes em si? Ah morre-se muito para poder-se viver. Mas todos fogem – proteção, manutenção, conservação, covardia –, bem aventurado os que sabem morrer, pois esses estão condenados à vida. Perdão, novamente ironia...


Fabiano de Andrade

05 de Fevereiro de 2012

ABSOLVIÇÃO


Nesse momento em que você veio com uma formidável pedra em mãos, e, do peito transbordando intenções perniciosas, abruptamente engoliu o fel que subia à garganta, pois o outro, de quem esperava reação tão feroz quanto, foi doce, amável e sereno. Aprendi assim, que às vezes a melhor resposta para um grito não é um eco, mas sim um abraço.

Fabiano de Andrade

27 de janeiro de 2012



AMOR-MOR



À Leidiane Pereira; sem verbo.





Amor que faz eco é amor maior, Amor-mor...



Chegamos ao tempo, - nosso tempo – que dizer


te amo, te odeio, não adianta,


tamanha é a traição de nossas palavras


perante a profunda consciência da gente.



Os corpos se desgastam em palavras,


Vocábulos são levianos, leve anos...



30 de junho de 2011



Fabiano de Andrade























O DESRESPEITO

O conheci no café da esquina, só nos restava um pão de queijo. Eu estava atrasada. Ele avistou primeiro o derradeiro pão de queijo, mas fingira que não o queria, deixando-o assim, para mim. Então, entrando na ciranda, eu fingi que não percebi. Mas propus dividi-lo. Eu usava meus óculos escuros, por receio que alguma lágrima da noite anterior ainda estivesse em meu rosto: “Nunca mais amar” fora a minha resolução. Em meio a conversa, tão quente quanto o café, notei sem querer que “a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar” estava escrito na capa da agenda dele. Em menos de dez minutos nos despedimos, sem menor compromisso futuro. Falei “tchau”, pensei “adeus.” Sem querer me atrasei nos dias seguintes. Quando havia mais que um pão de queijo esperava restar o último. Ás vezes, comprava todos e deixava lá o nosso último. Mas não queria correr o risco de chorar um pouco, não me deixei cativar. Ele me desrespeitou, mas não, não me deixei cativar. Acho que afinal, amor é desobediência mesmo. Por fim, não consegui evitar as lágrimas, nem mesmo no casamento...

Fabiano de Andrade

BALADA DO CORAÇÃO


Meu coração é vasto como o deserto

Dentro de uma ampulheta,

E sua tempestade, areia de alabastro

Dança de lado a outro

Casto, somente quer o bem; a quem?!

Criança a lançar o tempo,

Sobre inocentes; por amar, culpados.

O areal afoga em monte

Sem norte, tais corações ancorados

Sem ponte, em cais distintos.

Tinto menear de se apaixonar; minto?!

Queira oh meu Deus, que tal

Pulsação não seja meu natural

Batimento; violento

Intento de intenso viver – vil fraude.

Coração, não serias

Órgão feito pra bombear sinfonias?

Então, o meu não foi feito

Foi defeito apenas pra bombardear.

Se é assim: é tanto vasto

Quanto nefasto, meu poeril bailar.


Mas há de vir dilúvio, divina ventura

(Brotar no ventre do tempo, semente pura)

Chuva a transformar meu deserto vasto em pasto.

Fabiano de Andrade

16 de abril de 2011

A GALINHA É O OVO


Deve-se confessar que está implícito que amor é amor e amizade é amizade senão, jamais perguntariam é “namoro ou amizade?”. Perdão; vejo que, sem querer, cometi a sutil indiscrição de confundir amor com namoro, mas senão houver amor dentro do namoro, qual é o sentido?!, ficaríamos só com o N e O, – e /NU/ só, não tem nem sentido nem graça. Porém, não consigo achar modo claro de combinar as letras da amizade para formar amor ou namoro. Na verdade, a dinâmica dessa estrutura é tão viva, que logo, pela claríssima luz, ocorre à cegueira. Vejamos este íntimo retículo cristalino passo a passo:

Passo primeiro: É necessário, antes de tudo, demarcar as fronteiras vindas da superfície do amor que o separa do terreno da amizade, e vice-versa. É inerente à amizade poder falar tudo e não ser prejulgado; nem sempre concordar, mas ser compreensível e compreensivo; não sofrer represália, pois aceita-se a condição humana de ter dúvida, ser inseguro; poder fazer confissões que não faria a mais ninguém; contar grandes segredos ou contar bobagens só por contar, ou não dizer nada e sentir que não se está calado, ser cúmplice e sentir-se conhecido pelo outro, não pensar que dizer uma mentira é, por enquanto, a melhor opção, mas sim falar a verdade, por mais cruel e repulsiva que seja; poder sorrir e sentir que o riso ecoa por não se estar só; poder chorar lágrimas de fel, mas sentir-se abraçado, pois com este amor se suporta o peso do mundo... digo, com esta amizade...

Passo segundo: derrapou-se na indistinção do primeiro passo.


Fabiano de Andrade

01 de março de 11

Seguidores

Concerning Hobbits

Comentários

Concerning Hobbits

Postagens Anteriores

Mais lidos...

Contador de visitas

Quem aqui pisou.

Onde está você agora?

Widget by SemNome