BLOG NÃO EM TESTE...
"A CADA DIA QUE VIVO MAIS ME CONVENÇO DE QUE O DESPERDÍCIO DA VIDA ESTÁ NO AMOR QUE NÃO DAMOS, NAS FORÇAS QUE NÃO USAMOS,NA PRUDÊNCIA EGOÍSTA QUE NADA ARRISCA, E QUE, ESQUIVANDO-SE DO SOFRIMENTO, PERDEMOS TAMBÉM A NOSSA FELICIDADE."
(CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)
Ei querida, a cada dia convenço-me mais e mais que não te amo. Estarei amando-te ao passo que nosso amor deixa de ser apenas química para ser também história. Sim, cada dia é mais verdade acreditar que não te amarei por acaso, pelo destino, ou por qualquer desculpa inventada que vá além de mim mesmo. Amaremos-nos porque nós dedicamos assim o fazer, assim o ser, assim nos dedicar. Porém, nunca saberei explicar a fagulha química inicial que alimentamos com a nossa história. Entendes agora?
À mesa. Confortáveis cadeiras. Cláudio começa a conversa:
- Sei não, mas vou ficar aqui; o momento certo vai surgir, cedo ou tarde.
- Sim, Sim.
- Sente aí, vamos jogar.
Ela ajeita ao ombro esquerdo os longos cabelos negros.
- Ok!
...depois de muitos amanhãs...
- Não te cansas esperar?
- Que nada, vai surgir o momento.
Ela morde os lábios sensualmente, olha para o lado, depois olha para ele, com as maçãs do rosto avermelhadas volta ao baralho.
Anos...
Ela, longo vestido azul, curvas sinuosas.
- Bati! Bati! Vamos outra!
- Não! Cláudio, você ganhou e acabou. O que tanto espera?
-Hã? Calma Claudinha, Calma...
Ela morde os lábios carnudos, dessa vez raivosamente. Grandes olhos verdes, lindos, bem delineados com lápis de olho, mas cansados. Levanta e desaparece.
- Hã? Acho que foi para alguma festa... era para deixá-la ganhar algumas vezes.