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BLOG NÃO EM TESTE... "A CADA DIA QUE VIVO MAIS ME CONVENÇO DE QUE O DESPERDÍCIO DA VIDA ESTÁ NO AMOR QUE NÃO DAMOS, NAS FORÇAS QUE NÃO USAMOS,NA PRUDÊNCIA EGOÍSTA QUE NADA ARRISCA, E QUE, ESQUIVANDO-SE DO SOFRIMENTO, PERDEMOS TAMBÉM A NOSSA FELICIDADE." (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

Porta à frente


Ao acordar numa manhã tardia

Quando ainda a vida não se ouvia

Já havia uma placa na entrada

Que impassível não discutia:


ENTRADA NÃO PERMITIDA


Mais fácil seria voltar e ficar dormindo

Mas ainda que vencida a alma do vencedor

É um pendulo nunca derrotado


Àquela fechada entrada voltei calado

Do bolso puxei um pincel verde

E naquela maciça parede

Inventei uma porta ao lado!

Gladson Fabiano

24 de maio de 2009

Disciplinas

Ei querida, a cada dia convenço-me mais e mais que não te amo. Estarei amando-te ao passo que nosso amor deixa de ser apenas química para ser também história. Sim, cada dia é mais verdade acreditar que não te amarei por acaso, pelo destino, ou por qualquer desculpa inventada que vá além de mim mesmo. Amaremos-nos porque nós dedicamos assim o fazer, assim o ser, assim nos dedicar. Porém, nunca saberei explicar a fagulha química inicial que alimentamos com a nossa história. Entendes agora?

Gladson Fabiano

27 de maio de 2009

Dos piratas da vida


Acorde ingênuo pirata, seja agora insone!

Ah! Se pudesse perfazer previamente

Tua grande rota, passaria por ela indolente?

Mas inexiste ensaio para a vida, ainda que sonhe


Que amor é este de que tanto vem me falar?

Amor que fizeste tu enterrar teu coração

Como um tesouro secreto a intacto conservar

Das dores do acaso numa estante em decoração


Mas não seria esta a natureza daquele que sonha?

Sonhador vive a escutar o coração a bater esperançoso

Ainda que vazio o peito tenha!


Infantil navegador, não se enterram tesouros

O sol ao se pôr, não foge, não se esconde; abre-se para outros

Tolo, a vida por ser preciosa não se guarda para dias vindouros.

Gladson Fabiano

26 de abril de 2009



Cláudio e Cláudia


À mesa. Confortáveis cadeiras. Cláudio começa a conversa:

- Sei não, mas vou ficar aqui; o momento certo vai surgir, cedo ou tarde.

- Sim, Sim.

- Sente aí, vamos jogar.

Ela ajeita ao ombro esquerdo os longos cabelos negros.

- Ok!

...depois de muitos amanhãs...

- Não te cansas esperar?

- Que nada, vai surgir o momento.

Ela morde os lábios sensualmente, olha para o lado, depois olha para ele, com as maçãs do rosto avermelhadas volta ao baralho.

Anos...

Ela, longo vestido azul, curvas sinuosas.

- Bati! Bati! Vamos outra!

- Não! Cláudio, você ganhou e acabou. O que tanto espera?

-Hã? Calma Claudinha, Calma...

Ela morde os lábios carnudos, dessa vez raivosamente. Grandes olhos verdes, lindos, bem delineados com lápis de olho, mas cansados. Levanta e desaparece.

- Hã? Acho que foi para alguma festa... era para deixá-la ganhar algumas vezes.

Gladson Fabiano

7 de abril de 2009

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